quarta-feira, 11 de junho de 2008

Quase

Demorou, mas acabei cedendo à vontade de contar um caso que ocorreu aqui em casa (é um modo de dizer pois, como já sabem, não tenho casa...). Segue a história:

- Quinta-Feira, 05 de junho de 2008 -

Eu estava prestes a dormir (cerca de meio-dia), quando ouvi som de pássaros na cozinha. Segundos depois, aparece a minha mãe gritando, dizendo que o nosso gato - Naruto - estava com um filhote de passarinho na boca.

Quando eu ouvi aquilo, me bateu uma forte vontade de ajudar o pobre do pássaro e eu saí correndo sem pensar atrás do gato pra tentar salvar o passarinho.

Em um instante, a confusão estava armada e todos na casa estavam gritando me ajudando a tentar pegar o gato que acabou fugindo das minhas mãos quando o tentei puxar pelo rabo e correu para debaixo do refrigerador (lugar onde ele sempre se esconde quando está fugindo de umas palmadas por mal criação). Foi então que eu bruscamente arranquei a parte inferior do refrigerador para que eu pudesse pegá-lo.

Foi estranho. Mesmo que eu batesse nele, não soltava o pássaro de jeito nenhum. Pedi um pedaço de madeira e quase esmaguei o gato embaixo da "geladeira" (como é popularmente conhecido o refrigerador), que insistia em não soltar.

Foi então que o Gordo (forma desprezível de como me refiro ao meu irmão) puxou o gato pelo rabo e, tamanho foi o solavanco que o gato soltou o pássaro no susto.

Mas e o passarinho, como estava? Não se movia, porém, ao trazê-lo pra perto, pude perceber que ele estava em estado de choque, ofegante e paralisado. A cabeça dele estava na boca de um gato há segundos atrás, mas o incrível é que dava pra perceber no semblante do bichinho o quanto ele sofria, parece que já tinha aceitado a morte e não mais lutava pra sobreviver. Era um filhote de pardal e sua saída para o mundo já foi bastante cruel.

Mas não pense que a operação resgate acabou por aí... ainda tinha que devolvê-lo para o ninho.

Primeiramente, minha mãe colocou-o na parte externa da basculante, pensando que ele poderia voar. Minutos se passaram e o passarinho ainda estava lá, do mesmo jeito, na sua reação pós-traumática, por assim dizer.

Foi quando eu disse a minha mãe que teríamos que colocá-lo no ninho, pois os pais do coitado estavam aflitos, chamando por ele - inclusive foram eles que tentaram atacar o gato, quando o mesmo abocanhou o passarinho. Enfim, como o ninho era muito alto, fizemos a parte mais difícil do resgate: Minha mãe pegou uma cadeira e o maior cano que tinha em casa e colocamos o pardalzinho na ponta do cano e eu - por ser o mais alto da casa - me encarreguei da tarefa "de volta pro ninho".

No momento da subida - muito tenso, por sinal - todos estavam em silêncio torcendo para que ele não caísse daquela altura. Nesse momento foi bom ele estar paralisado, pois era muito importante que ele não se mexesse. ao chegar ao topo, houve um pequeno problema: ele não dava um passo para o ninho...

Eu, que já estava todo esticado e os braços erguidos, não estava mais aguentando quando dei um empurrãozinho e ele foi finalmente para o ninho (mesmo tendo ficado bem na ponta). Os outros pássaros se acalmaram e eu pude dormir em paz.

Vocês podem ter achado a história uma tremenda idiotice, mas significou muito pra mim. Me fez pensar profundamente sobre várias coisas da vida. Além de ficar impressionado com a reação dos outros pássaros, que se uniram pra ajudar o filhotinho, mesmo contra um gato, um dos seus predadores naturais. A reação do passarinho também foi comovente. Me faz pensar se os animais são realmente irracionais. Chego a pensar que somos muitos mais irracionais, muitas vezes.

Foi correto eu interferir na Cadeia Cíclica Alimentar? Naquele momento, eu só pensava em salvar o passarinho das garras (e dos dentes) do gato malvado que, aliás, levou uma bela surra depois disso. Me fez pensar em vida e morte e me lembrou uma passagem, cujo autor eu não me lembro:

"Quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou!
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Gastar mais horas a realizar do que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase viveu já está morto!"

O que vocês fariam no meu lugar?

Nossa! Eu não achei que esse post seria tão grande. Eu e meus detalhes...

Depois de tudo, no mesmo dia, fizemos (eu e o pessoal do trabalho) uma pequena greve lá na empresa, além de que o gato sumui antes de ontem. Mas isso é coisa para outro post.

Bom, até mais! Comentem a foto (dessa vez eu não coloquei meu nome porque fiz poucas mudanças na imagem e um nome estragaria a foto).

Abração e até o próximo!
Rôney Andrade.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A Resposta

"A força do fraco é oculta a si. Quando não enxerga o externo, não vê nada."
Rôney Andrade.


História nada engraçada: Nada do que eu previ aconteceu, mas nada de melhor ocorreu. O que eu posso fazer? Nada. É só aceitar esta condição por enquanto.

Estive pensando por anos o que devo fazer da minha vida e até agora não obtive resposta dentro do que eu posso fazer. Sim, querer é muito fácil. Nada de sermões do estilo "quem quer demais, acaba sem nada" ou "quem quer com vontade, consegue", por favor, estou sem saco pra isso.

A minha vida anda uma bosta e isso não é novidade, mas até que está calma. Ou será que estou anestesiado com tudo? De qualquer forma, o título "A Resposta" era para ser uma coisa a priori, mas acabou se tornando outra. Era pra ser simplesmente onde eu iria morar... mas agora é tudo de uma vez.

Por enquanto, sobre a moradia, estou temporariamente estável. Não deu certo eu ir morar com o vizinho de trás, mas não precisou, já que minha avó decidiu ir para o Maranhão em busca de seu amado traficante pedófilo. O plano dela é convencê-lo a voltar alegando que a casa estará vazia pra ele. Isso mesmo, VAZIA! Expulsou-nos de onde sempre vivemos sem o menor pudor ou compaixão (adjetivos que ela nunca conheceu). Tudo por ele.

Responda rápido: Amor ou Doença?

Seja qual for a resposta, eu quero que ela se exploda - de preferência, longe de mim. Lembrando sempre que eu estou calmo e vou pra onde a minha mãe for, por enquanto. Fazer o quê? Não vou me suicidar em dívidas por conta de um aluguel, não vou passar por isso de novo.

Olha o que veio hoje no orkut pra mim:

"Sorte de hoje: Em breve você passará momentos felizes em casa"

Hehehe! Será mesmo?

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Agora... a outra situação:

Lembra do post "Depoimentos secretos"? Caso não lembre, leia novamente. Caso não leu, vá ler. Caso não queira ler, continue e não entenda. O caso é que a resposta chegou por depoimento e... foi negativa.

Simplestmente: "NÃO"

Devo chorar por isso? Tá brincando, né? Mas rapaz, eu nem tenho tempo pra isso. Aliás, eu penso que "chorar" é algo que a pessoa faz quando não sabe o que fazer (ou quando sente intensa dor física, lógico). Talvez eu ainda não tenha digerido a resposta, não sei. O fato é que agora sinto um alívio. Não existe mais o peso da dúvida e reina em mim uma estranha sensação de "dever cumprido". Em meio a toda essa loucura, receber essa resposta foi engraçado. Eu espero a mesma há 3 anos.

Vou desabafar um pouco agora: eu não sabia que essa vida de adulto fosse tão difícil. Pena que a gente só descobre vivenciando. Como diria um conhecido meu,"a gente tá na vida é pra viver!" Quem não está preparado que se afoga. Quem está, nada até encontrar terra firme e espera a nova enchente pra recomeçar a nadar, um círculo vicioso.

Enfim, é isso que eu vim dizer hoje. Não estou feliz, mas também não estou totalmente triste, acho que estou aprendendo a nadar.

O que acharam da arte da foto? E da frase
inicial? E do trailer do Resident Evil 5 no canto superior direito? Comentem!

Abraço a todos que me visitam.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Paralelamente, uma poesia

A Espera do Eterno

Acreditar no incerto
A leveza de um sonho
A imutabilidade de um sentimento
Fazem-me possibilitar o impossível.

A presença da distância
O abismo da proximidade
A clareza do invisível
Fazem-me crer no inexistente.

A sonoridade de um olhar
O cheiro de um sorriso
O semblante de um gesto
Fazem-me bem e mal.

O gosto que não foi provado
O abraço que não foi tocado
A resposta da pergunta que não houve
Fazem-me acreditar no desconhecido.

Mas se a espera do eterno
For um tempo que já passou,
O destino de um sonho
Pode estar sendo escrito...

Rôney Andrade, 2005.