Demorou, mas acabei cedendo à vontade de contar um caso que ocorreu aqui em casa (é um modo de dizer pois, como já sabem, não tenho casa...). Segue a história:- Quinta-Feira, 05 de junho de 2008 -
Eu estava prestes a dormir (cerca de meio-dia), quando ouvi som de pássaros na cozinha. Segundos depois, aparece a minha mãe gritando, dizendo que o nosso gato - Naruto - estava com um filhote de passarinho na boca.
Quando eu ouvi aquilo, me bateu uma forte vontade de ajudar o pobre do pássaro e eu saí correndo sem pensar atrás do gato pra tentar salvar o passarinho.
Em um instante, a confusão estava armada e todos na casa estavam gritando me ajudando a tentar pegar o gato que acabou fugindo das minhas mãos quando o tentei puxar pelo rabo e correu para debaixo do refrigerador (lugar onde ele sempre se esconde quando está fugindo de umas palmadas por mal criação). Foi então que eu bruscamente arranquei a parte inferior do refrigerador para que eu pudesse pegá-lo.
Foi estranho. Mesmo que eu batesse nele, não soltava o pássaro de jeito nenhum. Pedi um pedaço de madeira e quase esmaguei o gato embaixo da "geladeira" (como é popularmente conhecido o refrigerador), que insistia em não soltar.
Foi então que o Gordo (forma desprezível de como me refiro ao meu irmão) puxou o gato pelo rabo e, tamanho foi o solavanco que o gato soltou o pássaro no susto.
Mas e o passarinho, como estava? Não se movia, porém, ao trazê-lo pra perto, pude perceber que ele estava em estado de choque, ofegante e paralisado. A cabeça dele estava na boca de um gato há segundos atrás, mas o incrível é que dava pra perceber no semblante do bichinho o quanto ele sofria, parece que já tinha aceitado a morte e não mais lutava pra sobreviver. Era um filhote de pardal e sua saída para o mundo já foi bastante cruel.
Mas não pense que a operação resgate acabou por aí... ainda tinha que devolvê-lo para o ninho.
Primeiramente, minha mãe colocou-o na parte externa da basculante, pensando que ele poderia voar. Minutos se passaram e o passarinho ainda estava lá, do mesmo jeito, na sua reação pós-traumática, por assim dizer.
Foi quando eu disse a minha mãe que teríamos que colocá-lo no ninho, pois os pais do coitado estavam aflitos, chamando por ele - inclusive foram eles que tentaram atacar o gato, quando o mesmo abocanhou o passarinho. Enfim, como o ninho era muito alto, fizemos a parte mais difícil do resgate: Minha mãe pegou uma cadeira e o maior cano que tinha em casa e colocamos o pardalzinho na ponta do cano e eu - por ser o mais alto da casa - me encarreguei da tarefa "de volta pro ninho".
No momento da subida - muito tenso, por sinal - todos estavam em silêncio torcendo para que ele não caísse daquela altura. Nesse momento foi bom ele estar paralisado, pois era muito importante que ele não se mexesse. ao chegar ao topo, houve um pequeno problema: ele não dava um passo para o ninho...
Eu, que já estava todo esticado e os braços erguidos, não estava mais aguentando quando dei um empurrãozinho e ele foi finalmente para o ninho (mesmo tendo ficado bem na ponta). Os outros pássaros se acalmaram e eu pude dormir em paz.
Vocês podem ter achado a história uma tremenda idiotice, mas significou muito pra mim. Me fez pensar profundamente sobre várias coisas da vida. Além de ficar impressionado com a reação dos outros pássaros, que se uniram pra ajudar o filhotinho, mesmo contra um gato, um dos seus predadores naturais. A reação do passarinho também foi comovente. Me faz pensar se os animais são realmente irracionais. Chego a pensar que somos muitos mais irracionais, muitas vezes.
Foi correto eu interferir na Cadeia Cíclica Alimentar? Naquele momento, eu só pensava em salvar o passarinho das garras (e dos dentes) do gato malvado que, aliás, levou uma bela surra depois disso. Me fez pensar em vida e morte e me lembrou uma passagem, cujo autor eu não me lembro:
"Quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou!
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Gastar mais horas a realizar do que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase viveu já está morto!"
O que vocês fariam no meu lugar?
Nossa! Eu não achei que esse post seria tão grande. Eu e meus detalhes...
Depois de tudo, no mesmo dia, fizemos (eu e o pessoal do trabalho) uma pequena greve lá na empresa, além de que o gato sumui antes de ontem. Mas isso é coisa para outro post.
Bom, até mais! Comentem a foto (dessa vez eu não coloquei meu nome porque fiz poucas mudanças na imagem e um nome estragaria a foto).
Abração e até o próximo!
Rôney Andrade.

