Mistério... a única certeza de que temos na vida é que um dia vamos morrer. De resto, tudo é absoluto mistério. Só temos que estar preparados para qualquer coisa que venha (o que é impossível...).
Ao contrário do que você possa estar pensando (ou não), não vou dizer exatamente sobre o que eu costumo dizer por aqui. Vou contar um pouco sobre a minha vida, em um ponto específico, para introduzir o que eu realmente vou dizer.
Tudo começou quando eu nasci... ok, é brincadeira. Vou falar sério agora.
Um caso comum em toda a minha vida foi o fato de eu estar sempre me mudando, de um lugar para o outro. Só pra se ter uma idéia, eu só fui completar 1 ano na mesma escola à partir da 6ª série. Eu passava por 3 escolas diferentes a cada ano, em média.
Isso é muito pior do que parece, pois pode ter marcado em mim uma certa característica de frieza e dificuldade de me apegar às pessoas. O motivo? Eu simplesmente não podia me apegar a ninguém, pois eu iria inevitavelmente me mudar e deixar tudo pra trás.
Não pense que eu sofria por isso. Era natural. Eu ia embora e não sentia falta das pessoas. Era uma época em que eu era muito apegado aos meus primos, afinal, não importava onde eu estava, a família não fugia e nem perdia o contato. Não pense ainda que eu tive uma infância solitária por conta disso. Longe disso! Sempre me dei bem com os colegas de rua e de escola. Aprontei razoavelmente bem quando "moleque" (eu odeio essa palavra, não vou mais usá-la). Uma infância sadia, apesar de tudo.
Lembro-me da primeira vez que ouvi um menino dizendo "ele é meu melhor amigo". Claro, ele não se referia a mim. Mas aquelas palavras ecoaram forte na minha jovem cabeça. Foi quando eu me dei conta de que eu não tinha um melhor amigo, e talvez nem pudesse ter, com essa vida de cigano que eu levava.
Depois da 6ª série do Ensino Fundamental, a minha vida se estabilizou e eu finalmente criei raízes em um só lugar. Com isso, eu pude finalmente ter o meu melhor amigo. Hoje ele não mora mais por aqui, mas ainda mantemos um certo contato. Finalmente, fui criando amigos de verdade. Achei pessoas maravilhosas! Tive uma adolescência saudável e estável, até que eu terminei o Ensino Médio e comecei a trabalhar... à partir daí, veio outra época de instabilidade que se segue até os dias atuais.
Minha mãe conheceu um cara, foi morar com ele e levou a minha irmã mais nova. O meu irmão do meio ficou morando com o pai dele e eu fiquei sozinho morando com a minha avó, em uma casa separada dentro do terreno dela. Foi quando, pela primeira na vida, eu tive depressão.
Mas as coisas começaram a dar errado de todos os lados. Como eu estava sozinho em uma casa, um tio salafrário e aproveitador veio pedir abrigo a minha avó, mãe dele (isso não é tão óbvio...). Perdi metade da minha casinha e o lote ficou com três pequenas casas. Claro que eu fui quem ficou na menor parte. Minha mãe brigou com o tal parceiro e teve que voltar pra casa, mas não tinha mais espaço pra ela (lembra do tio safado?) e teve que pagar um aluguel. Foi quando eu resolvi sair para que a minha ficasse no meu lugar com a minha irmãzinha, já que eu tinha mais condições de pagar um aluguel do que ela. Eu tinha combinado com um amigo do trabalho que também estava saindo de casa para dividirmos as despesas de um lugar, pra não ficar pesado. Mas na última hora, ele pulou fora e eu tive que segurar a barra sozinho. Então, como se já não fosse o bastante, o pai do meio irmão do meio veio dizer a minha mãe que está "devolvendo" o filho, pois não o suportava mais. "Se ele não acabar me matando, eu mato ele"- disse o pai do garoto, revoltado. Acontece que o diabo do menino é realmente difícil de lidar (atualmente, é usuário de drogas). Pouco tempo após jogar o menino de volta nos braços da mãe, morre em um acidente de moto. Pronto! Agora não tem mais onde deixar o peste. Tem que ficar com a mãe, que já não tinha nem onde morar direito. Neste mesmo momento, a barra começou a pesar muito e eu não estava dando conta de me sustentar sozinho e ainda por cima pagar aluguel (o salário é baixinho). Foi quando, mais uma vez, eu me mudei... desta vez pra casa da minha tia. Mas eu não tinha me adaptado muito bem. Neste meio tempo, a minha avó se relaciona com um homossexual pedófilo e vai viajar para o Maranhão com ele, com medo de perdê-lo. Foi a chance que eu tive de voltar para a minha casa... ou quase isso. Minha mãe acabou ficando um tempo morando comigo na casa da minha avó, onde eu - até agora - estou dormindo na sala. Não tenho mais quarto e nem privacidade. Tudo piorou quando, recentemente, a minha avó regressou do Maranhão. Sozinha. Rapidamente, ficou desesperada com a falta do parceiro (que ficou por lá) e começou a se revoltar com todos ao redor.
Situação atual: Eu incomodo a todos, mesmo sem fazer nada. Durmo o dia inteiro. Trabalho a noite inteira. Só fico no computador com fones de ouvido e esqueço o mundo. Mesmo assim, incomodo. Ela (a minha avó) liga tudo à falta do maldito parceiro. Ninguém pode mais acalentá-la, ninguém mais é companhia pra ela. Até que ela liga pra ele, implorando para que volte pra casa. E, pela atitude dela, deduz-se perfeitamente as imposições do infeliz ordinário. Quando ele chegar, não quer me ver mais por aqui. Nem a minha mãe. Não gosta da gente por sabermos a verdade sobre a vida dele e morre de ódio disso. Resumindo, não nos quer por aqui. E é aí que vovó entra. Quer que minha mãe saia daqui. Quer que EU pague um aluguel pra nós. Quer que abdiquemos da casa que NÓS ajudamos a construir. E não manda embora o intruso tio safado que só veio de penetra pra estragar a nossa vida, pois ele sim, tem condições para morar em outro lugar, pagando aluguel ou comprando uma casa (poderia começar vendendo um dos dois carros dele, aquele folgado). É uma situação em tanto, não? E se eu disser que o tal parceiro ainda vem trazendo um namorad... um amigo do Maranhão pra viver aqui, você acredita? Pois eu, sim.
Agora eu pergunto: Como você, que está lendo isso agora, acha que eu e minha mãe estamos? Por incrível que pareça, calmíssimos.
Sim, pra que ficar preocupado? O que vai resolver ficar nervoso? Só temos uma convicção. Não deixamos esta casa vazia de jeito nenhum! Nem que moremos na garagem, não sairemos daqui. Mas a minha mãe arranjou uma solução temporária, ao menos pra mim.
Tem um vizinho que fica exatamente atrás da nossa casa que é amigo da minha mãe há um bom tempo. Eu nunca o tinha visto na vida, mas ele aluga uma parte da casa dele e cede um quarto vazio para que eu possa ficar temporariamente, sem que precise pagar. Pode ser que eu já esteja lá na outra casa quando eu fizer o próximo post. Eu, sinceramente, gostei. Apesar de eu não o conhecer, parece uma boa pessoa. Além de que ele trabalha o dia inteiro e só chega à noite. E eu trabalho a noite. Mal vamos nos ver. E eu vou ter um quarto, depois de tanto tempo... Minha mãe, por enquanto, vai ficar onde está: morando com os outros dois filhos em um cubículo de dois cômodos.
O que será que vai acontecer no próximo capítulo da minha vida?
Não perca! No próximo post, "A Resposta".
Até mais ver. (não entendo esta expressão, mas acho legal)
(Gostou da figura da cigana que eu editei? Comente.)



